É com boas razões que Bariloche na Patagónia ganhou o moniker, "a Suíça da América do Sul". Não só se assemelha a uma cidade de montanha suíça, mas também é um destino importante para os amantes do chocolate, e é frequentemente referida como a "capital do chocolate" da Argentina. Mais de meio milhão de pessoas migrou da Europa para a Argentina entre 1947 e 1952, após a Segunda Guerra Mundial. Foi o último período significativo da imigração europeia. Na Patagónia, algumas províncias como Río Negro e Neuquén duplicaram a população, o que foi especialmente evidente na grande cidade de Bariloche. Entre os recém-chegados, muitos italianos estavam a escapar ao devastador rescaldo da guerra. Mas, felizmente, muitos deles preservaram as suas culturas e trouxeram consigo as suas receitas. Durante os invernos frios da região, alguns destes imigrantes europeus viram a oportunidade de fomentar uma cultura de chocolate na sua nova casa, o que por sua vez levou à popularidade do chocolate argentino. O chocolatier chamado Aldo Fenoglio chegou a Bariloche em 1947, procurando um lugar com tempo seco para poder trabalhar com o seu doce doce. Fenoglio era de Turim, Itália, o coração de chocolate da Europa desde o século XVII, onde tinha uma loja de chocolate antes da guerra. E procurava repetir o seu sucesso anterior na sua nova cidade.
Fenoglio é creditado por inventar um tipo de barra de chocolate artesanal e os famosos "ramos" de chocolate - folhas de chocolate dobradas que se assemelham a casca de árvore. A história conta que um dia esqueceu-se de um pote cheio de chocolate derretido sobre um moedor de nozes, uma engenhoca que consistia em dois rolos de pedra lado a lado. Eventualmente, o chocolate caiu e verteu numa pilha sobre a máquina. Para limpar a confusão, ligou o moedor, resultando em finas camadas de chocolate que se dobravam à medida que desciam. Ficaram tão bem que ele decidiu transformá-lo naquilo que se tornou uma das iguarias de chocolate mais conhecidas de Bariloche: chocolate en rama, que se parece com a casca de uma árvore.
Se está a planear fazer uma cocoa-pilgrimage, vai querer visitar os muitos museus de chocolate que pontilham o que os argentinos chamam "A Avenida dos Sonhos de Chocolate" (Mitre Avenue). Passeie pela avenida para explorar as raízes maias e astecas da região, assim como a sua ligação à confeitaria, observando o processo de produção e provando alguns doces para si. Considere Mamuschka (acima) uma visita obrigatória. Amplamente considerado como o maior actor na cena do chocolate de Bariloche, a loja armazena todo o tipo de chocolate imaginável, desde ovos de chocolate branco cheios de Baileys a barras de chocolate negro com 90% de cacau. Para a experiência completa, arranje um lugar no café localizado ao fundo e encomende um dos chocolates mais espessos e quentes que alguma vez terá o prazer de saborear.