Ao amanhecer, quando a luz ainda é fria e cinza, os baobás da Avenue du Baobab parecem esculturas de pedra cinza plantadas no vermelho da terra malgaxe. Somente com o progresso do dia revelam sua verdadeira natureza: árvores vivas, antiquíssimas, com troncos que podem superar os 25 metros de altura e alcançar circunferências de mais de 10 metros. Esta estrada de terra nas proximidades de Morondava, na região de Menabe na costa ocidental de Madagascar, é ladeada por exemplares de Adansonia grandidieri, a espécie de baobá endêmica de Madagascar e a maior do gênero, que aqui cresce em uma das concentrações mais densas e espetaculares da ilha.
A pista que atravessa esta fila de árvores colossais não é longa — é percorrida em poucos minutos a pé — mas sua força visual é imediata. Os baobás se erguem de ambos os lados como colunas de uma catedral natural, com as copas reduzidas em relação à massa do tronco, quase como se fossem árvores de cabeça para baixo com as raízes voltadas para o céu, segundo a lenda local. O que torna este lugar fotograficamente único é a combinação entre a verticalidade das árvores, a planície ao redor e a qualidade da luz nas horas douradas.
As cores da luz: do amanhecer ao pôr do sol
Durante as horas centrais do dia, os troncos dos baobás aparecem de um cinza quente, quase prateado, com a casca lisa que reflete a luz direta do sol. A paisagem ao redor é seca, dominada por terra vermelha e vegetação rala: a estação seca, entre abril e novembro, é o período em que a visibilidade é máxima e as estradas são transitáveis sem risco de atolar na lama.
É, no entanto, nas primeiras e últimas horas do dia que a Estrada dos Baobás se transforma. Ao amanhecer, uma luz suave e rosada tinge os troncos de matizes alaranjadas, projetando longas sombras sobre a terra. Ao pôr do sol, o fenômeno se intensifica: o céu do oeste se torna vermelho e laranja, os troncos ficam quase dourados, e as silhuetas das árvores se destacam nítidas contra um céu que muda de cor a cada minuto. É nesse momento que dezenas de fotógrafos e visitantes se reúnem às margens da pista, aguardando aqueles vinte ou trinta minutos em que a luz é perfeita.
Como chegar e quando visitar
Morondava é acessível de avião a partir de Antananarivo com voos internos operados por companhias locais: o voo dura cerca de uma hora e meia. Como alternativa, o percurso por terra a partir da capital é longo e desafiador, exigindo pelo menos dois dias em estradas frequentemente em más condições. Uma vez em Morondava, a Avenue du Baobab está localizada a cerca de 17 quilômetros ao norte da cidade, ao longo da estrada para Belo sur Tsiribihina: um táxi ou um tuk-tuk local chega lá em menos de meia hora.
A dica prática mais importante é chegar pelo menos uma hora antes do pôr do sol para encontrar um bom ponto de observação e não ser bloqueado pela multidão de outros visitantes. O local não tem um ingresso formal, mas é costume deixar uma contribuição para os guias locais presentes no local. A temporada de chuvas, entre dezembro e março, torna a estrada de terra difícil de percorrer e pode comprometer a visibilidade. O período ideal é entre junho e setembro.
O que observar de perto
Aproximando-se dos troncos, nota-se que a casca dos baobás Adansonia grandidieri é lisa e quase sem rugosidade em comparação com outras espécies do mesmo gênero. Alguns exemplares mostram sinais de incisões deixadas ao longo das décadas por visitantes e locais, uma prática que hoje é desencorajada. O diâmetro dos troncos maiores é tal que mais pessoas com os braços abertos não conseguem abraçá-los completamente.
Pelas primeiras horas da manhã, quando os turistas ainda são poucos, é possível ouvir a paisagem sonora da planície circundante: pássaros endêmicos, o vento entre as copas esparsas, o barulho da terra sob os pés. Alguns baobás são estimados em ter centenas de anos, embora a datação precisa desses exemplares permaneça objeto de estudo, uma vez que os baobás não produzem anéis de crescimento anuais legíveis como outras árvores. Essa incerteza sobre a idade os torna, se possível, ainda mais fascinantes de observar em silêncio.
O contexto da paisagem circundante
A planície ao redor da Estrada dos Baobás é cultivada em parte com arroz nas áreas mais úmidas perto dos canais, enquanto em outros lugares domina a vegetação seca típica da região de Menabe. Nas proximidades, encontram-se outros grupos de baobás menos conhecidos pelos turistas, acessíveis com guias locais que conhecem os caminhos. O Lago Sagrado dos Baobás, a poucos quilômetros, é outro ponto de interesse onde os reflexos das árvores na água oferecem um tipo de panorama completamente diferente, mais tranquilo e especular.
Quem visita esta área de Madagascar encontra-se em um território onde a natureza não foi reorganizada para o turismo: a estrada é de terra, não há cercas nem painéis informativos elaborados. Isso contribui para uma sensação de autenticidade que é cada vez mais rara, e que vale por si só a viagem até Morondava.