As torres de pináculos do Castelo de Pierrefonds emergem da floresta de Compiègne como uma visão saída de um romance arturiano. Não se trata de cenografia cinematográfica, embora o castelo tenha hospedado as filmagens da série de televisão Merlin: o que se vê é pedra verdadeira, trabalhada com obsessiva precisão por Eugène Viollet-le-Duc, o arquiteto que Napoleão III encarregou em 1857 de transformar uma ruína medieval em residência imperial.
A história do edifício começa, no entanto, muito antes. O castelo original foi construído no final do século XIV por Luís I de Orléans, irmão do rei Carlos VI da França, como fortaleza e residência nobre. Após séculos de abandono e a demolição parcial ordenada por Luís XIII em 1617, permaneceu em ruínas até que Napoleão I o adquiriu por uma quantia simbólica. Foi o neto, Napoleão III, quem decidiu sua renascença, confiando-a a Viollet-le-Duc, que trabalhou nele até sua morte em 1879.
A arquitetura externa: torres, merlões e esculturas
Aproximando-se do castelo, contam-se oito torres circulares que marcam o perímetro da fortaleza, cada uma dedicada a um herói medieval ou cavaleiresco. Nos frontões e ao longo dos parapeitos, Viollet-le-Duc espalhou uma série de figuras esculpidas que retratam personagens do ciclo carolíngio e da literatura cavaleiresca: um detalhe que transforma o giro externo em uma leitura por imagens da cultura medieval francesa.
A ponte levadiça e a torre de entrada principal ainda mostram os mecanismos de elevação originais da restauração do século XIX. A pedra utilizada, extraída de pedreiras locais da região do Oise, assumiu com o tempo uma coloração cinza-ocre que se harmoniza com o verde da floresta circundante, tornando o castelo visualmente indissociável da paisagem.
Os interiores: a grande sala e os quartos pintados
O interior do castelo é o que distingue Pierrefonds de muitas outras fortalezas medievais francesas. A Salle des Preuses, a sala dedicada às heroínas lendárias, conserva um ciclo de estátuas policromadas que representam nove figuras femininas heroicas da tradição medieval, esculpidas com uma riqueza de detalhes nos trajes e nas armaduras que revela a erudição histórica de Viollet-le-Duc.
O masto central, o donjon, abriga ambientes onde as paredes são decoradas com pinturas murais e motivos ornamentais inspirados na heráldica medieval. Os tetos de caixotões de madeira pintados, as lareiras monumentais e os pisos de cerâmica esmaltada compõem interiores que, apesar de serem fruto de uma restauração do século XIX, transmitem uma sensação de coerência estilística raramente alcançada em edifícios desse tipo. Viollet-le-Duc não se limitou a consolidar as estruturas existentes: projetou móveis, arranjos e decorações como um sistema unitário.
O contexto: a aldeia de Pierrefonds e a floresta
O castelo domina de cima a pequena aldeia de Pierrefonds, no departamento do Oise, a cerca de 80 quilômetros a nordeste de Paris. O país se desenvolve em torno de um lago artificial e conserva um centro histórico com edifícios de pedra e madeira que refletem a arquitetura rural da Picardia. Passear pela aldeia antes ou depois da visita ao castelo permite observar o monumento de distâncias diferentes e perceber suas proporções em relação ao território.
A floresta de Compiègne, uma das mais extensas florestas públicas francesas, circunda a área e oferece trilhas para pedestres e ciclistas. No outono, quando a folhagem assume tonalidades laranja e vermelhas, o contraste cromático com a pedra cinza do castelo é particularmente acentuado.
Informações práticas para a visita
O castelo é gerido pelo Centro dos Monumentos Nacionais e está aberto ao público durante todo o ano, com algumas fechaduras sazonais às segundas-feiras em certos períodos. O bilhete de entrada custa cerca de 9 euros para adultos, com reduções para jovens e gratuidade para menores de 18 anos residentes na União Europeia. A visita completa dos interiores leva cerca de 90 minutos.
Para chegar a Pierrefonds a partir de Paris sem carro, a opção mais conveniente é o trem até Compiègne e depois um ônibus ou táxi para os cerca de 14 quilômetros que separam a cidade da vila. Na alta temporada de verão e nos finais de semana, grupos escolares e turísticos podem tornar as salas principais lotadas: chegar na abertura, por volta das 9h30, garante uma visita mais tranquila e uma luz matinal favorável para fotografar as fachadas externas.