Quando o sol começa a se pôr atrás dos Andes, as rochas do Cerro de los Siete Colores parecem pegar fogo. As estrias vermelhas, amarelas, roxas e verdes que cortam a montanha se intensificam até se tornarem quase irreais, como se alguém tivesse pintado a pedra com cores muito saturadas para pertencer ao mundo natural. Estamos em Purmamarca, uma pequena vila na província de Jujuy, no noroeste da Argentina, a cerca de 2.200 metros de altitude.
O que torna este monte realmente extraordinário é sua geologia: as sete tonalidades visíveis nas paredes rochosas são o resultado de milhões de anos de sedimentação e de processos minerais diferentes. O ferro produz as nuances vermelhas e alaranjadas, enquanto outros minerais como o manganês e o cálcio contribuem para os tons roxos, amarelos e esverdeados. A Quebrada de Humahuaca, o vale que abriga Purmamarca, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2003, justamente por seu excepcional valor paisagístico e cultural pré-hispânico.
O momento mágico: o pôr do sol na montanha
Se há um horário em que o Cerro de los Siete Colores revela todo o seu potencial, é aquele compreendido entre uma hora antes do pôr do sol e os vinte minutos seguintes ao cair do sol. A luz rasante da tarde atinge as paredes rochosas de forma oblíqua, exaltando os contrastes entre as camadas minerais e projetando sombras que definem cada dobra da rocha. As cores parecem literalmente pulsar.
O pôr do sol em Purmamarca ocorre geralmente entre 18:30 e 19:30, dependendo da estação. No verão austral, entre dezembro e março, a luz dura mais tempo e oferece uma paleta mais quente. No inverno, entre junho e agosto, o ar é mais limpo e as cores tendem a ser mais nítidas e contrastadas. Muitos visitantes escolhem se posicionar na Plaza 9 de Julio, a pequena praça central do país, de onde se tem uma visão direta da montanha sem obstáculos.
O Caminho dos Colorados: caminhar entre as cores
Para quem deseja se aproximar fisicamente da montanha, existe um percurso pedonal chamado Caminho dos Colorados, um anel de cerca de três quilômetros que se desenrola ao redor da base do cerro. A trilha é bem sinalizada e pode ser percorrida em cerca de uma hora e meia sem dificuldades técnicas especiais, embora a altitude possa retardar aqueles que não estão acostumados. Ao longo do percurso, é possível observar de perto as diferentes camadas rochosas e entender melhor como a geologia construiu este espetáculo ao longo de eras geológicas.
A dica prática mais importante é esta: começar o Caminho dos Colorados pelo menos duas horas antes do pôr do sol. Dessa forma, você completa o percurso com calma e chega ao ponto panorâmico melhor exatamente quando a luz está em seu auge. Levar água é fundamental, pois ao longo do percurso não há pontos de abastecimento. A entrada para a trilha é gratuita e acessível diretamente do povoado.
Purmamarca: a vila aos pés do cerro
A cidade de Purmamarca conta com poucas centenas de habitantes e se desenvolve em torno de sua praça central, sombreada por um antigo algarrobo, uma árvore típica da região que pode viver por séculos. A Igreja de Santa Rosa de Lima, construída em 1648, é um dos edifícios coloniais mais bem preservados da Quebrada e vale uma visita antes ou depois do pôr do sol. Suas paredes de adobe branco contrastam com a montanha colorida ao fundo de maneira visualmente poderosa.
Ao redor da praça, encontram-se barracas de artesãos locais que vendem tecidos de lã de lhama e alpaca, cerâmicas e objetos de madeira. Os preços são acessíveis em comparação aos padrões europeus, mas é uma boa norma não negociar de forma agressiva: muitas vezes são produtores diretos que vivem do seu trabalho. Uma refeição em um dos pequenos restaurantes da cidade, à base de locro ou empanadas jujeñas, custa geralmente entre 1.500 e 3.000 pesos argentinos, embora os preços variem com a inflação local.
Como chegar e quando ir
Purmamarca está localizada a cerca de 65 quilômetros da cidade de Jujuy, acessível em cerca de uma hora de carro pela Ruta Nacional 9 e depois pela Ruta Provincial 52. Também existem serviços de ônibus da estação de Jujuy, com partidas regulares durante o dia. A melhor época para visitar o cerro ao pôr do sol é a estação seca, entre maio e setembro, quando as chances de céu limpo são maiores e as nuvens não obscurecem o espetáculo da luz nas rochas.
Aqueles que chegam de carro têm a vantagem de poder escolher livremente o horário de partida e parar ao longo do caminho para fotografar a paisagem da quebrada. De qualquer forma, é recomendável reservar a hospedagem em Purmamarca com antecedência durante os meses de verão e nos finais de semana prolongados, quando o turismo interno argentino traz muitos visitantes de Salta e Buenos Aires.