
Venti colonne se refletem na água parada da piscina e se tornam quarenta: é desse jogo óptico que o Chehel Sotoun recebe seu nome, que em persa significa literalmente «quarenta colunas». Construído no século XVII durante o reinado do Shah Abbas II, este pavilhão real no coração de Esfahan é um dos exemplos mais refinados da arquitetura safávida, uma época em que a Pérsia transformava seus jardins em declarações de poder e beleza.

Chegar ao Chehel Sotoun significa atravessar um longo caminho arborizado que introduz gradualmente a cena: a piscina refletora se abre diante dos olhos antes mesmo que o pavilhão seja visível em sua totalidade, e o reflexo das colunas na água cria uma simetria que parece quase irreal. Não é um efeito acidental — foi projetado com precisão para impressionar os convidados reais que aqui eram recebidos durante banquetes de estado e cerimônias diplomáticas.
A arquitetura do pavilhão: madeira, pedra e intenção

O pavilhão foi concluído por volta de 1647 sob Shah Abbas II, embora o complexo tenha sofrido modificações e restaurações ao longo dos séculos. A estrutura é caracterizada por um pórtico frontal sustentado por vinte colunas de madeira de plátano, esguias e leves, que repousam sobre bases de pedra esculpida em forma de leão. Este detalhe — as bases leoninas — é um dos pormenores que os visitantes atentos podem observar de perto, tocando a pedra polida pelos séculos.
A loggia coberta do pórtico é decorada com estalactites em estuque pintado, um elemento típico da arquitetura islâmica persa que aqui atinge uma complexidade notável. O teto do pórtico é um espetáculo à parte: espelhos fragmentados e azulejos dourados criam uma cúpula cintilante que muda de aparência com a luz do dia. De manhã cedo, quando o sol está baixo, os reflexos se multiplicam de maneiras impossíveis de prever.

Os afrescos internos: história pintada nas paredes
O interior do Chehel Sotoun abriga seis grandes afrescos que cobrem as paredes da sala principal. Pintados no século XVIII, retratam cenas de batalhas e banquetes reais: entre os mais célebres está aquele que retrata a batalha de Chaldiran de 1514 e outro que mostra Shah Ismail I em um contexto de corte. As figuras são grandes, as cores ainda vívidas apesar dos séculos, e os detalhes das roupas, das armas e dos instrumentos musicais permitem uma leitura quase etnográfica da vida safávida.

No centro da sala principal encontra-se uma grande bacia em mármore branco, originalmente usada durante os recebimentos. Observar os afrescos de dentro significa entender como esse espaço funcionava como teatro do poder: o soberano sentava-se no centro, cercado por músicos e cortesãos, enquanto as paredes pintadas multiplicavam a magnificência da cena real em uma versão eternamente perfeita. O contraste entre a escala monumental dos afrescos e a delicadeza dos detalhes pictóricos é algo que as fotografias restitui apenas em parte.
O jardim e o contexto da UNESCO

O Chehel Sotoun está inserido no Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979 como parte do site «Meidan Emam, Esfahan», e seu jardim é um dos exemplos melhor conservados do jardim persa tradicional, o chamado chahar bagh, dividido em quatro seções simétricas por canais de água. As árvores — plátanos e ciprestes que em alguns casos datam da época safávida — criam uma sombra densa que torna a visita agradável mesmo nas horas centrais do dia.
O jardim é frequentado também pelos residentes de Esfahan, que levam tapetes e comida para piqueniques no final da tarde. Esse uso cotidiano do espaço, longe de qualquer museificação, adiciona uma dimensão viva à visita: o pavilhão não é apenas um monumento para ser observado, mas um lugar que continua a ser habitado no sentido mais amplo do termo.
Dicas práticas para a visita
O melhor momento para visitar o Chehel Sotoun é de manhã cedo, preferencialmente antes das nove: a luz suave realça os reflexos na piscina e o pavilhão ainda está relativamente vazio. No início da tarde, os grupos organizados tendem a lotar a sala dos afrescos, tornando difícil permanecer calmamente diante das pinturas. Calcule pelo menos uma hora e meia para uma visita completa que inclua o jardim, o pórtico e os interiores.
O local está situado no centro de Isfahan, acessível a pé da grande Praça Naqsh-e Jahan em cerca de quinze minutos. O ingresso é acessível — aproximadamente na ordem de alguns euros para turistas estrangeiros, mas verifique o preço atualizado na chegada, pois pode variar. Leve água com você, especialmente no verão, quando as temperaturas em Isfahan facilmente ultrapassam 35 graus: o jardim oferece sombra, mas o sol refletido na piscina pode ser intenso.
