
Da volta da caverna descem feixes de luz natural através de enormes aberturas no teto, como projetores apontados para um palco de pedra. A Caverna de Devetashka, situada nas proximidades da aldeia de Devetaki, na Bulgária central, é uma das cavidades naturais mais grandes da Europa oriental: com cerca de 2.442 metros de comprimento, com uma abertura principal que atinge 35 metros de altura e uma largura que em certos pontos supera os 60 metros. Não se trata de uma caverna qualquer — é uma catedral natural que o homem frequenta há pelo menos 70.000 anos, como testemunham os achados arqueológicos encontrados em seu interior.

O rio Osum flui nas proximidades, e a presença da água moldou ao longo dos milênios essas galerias calcárias, criando um ambiente úmido e fresco mesmo no verão. O piso da caverna é irregular, salpicado de estalactites e estalagmites, enquanto o teto é perfurado por pelo menos seis aberturas naturais — os chamados olhos da caverna — que em certos momentos do dia transformam o interior em um jogo de sombras e luzes quase sobrenaturais.
Um ecossistema único: as colônias de morcegos

Um dos fenômenos mais extraordinários que podem ser observados em Devetashka é a presença de uma das colônias de morcegos mais grandes da Bulgária. Diversas espécies convivem na caverna, incluindo o morcego de ferradura maior (Rhinolophus ferrumequinum) e o morcego de ferradura menor (Rhinolophus hipposideros). Estima-se que durante certos períodos do ano a colônia atinja 35.000 unidades, tornando a caverna um local de importância europeia para a conservação dos quirópteros.
Ao pôr do sol, quando as colônias saem em busca de alimento, o espetáculo é impressionante: milhares de morcegos se lançam para fora da abertura principal em um fluxo contínuo que pode durar vários minutos. Por esse motivo, a caverna é hoje uma reserva natural protegida, e o acesso é regulamentado para limitar a perturbação aos animais, especialmente durante o período reprodutivo entre maio e julho.

A história humana da caverna: dos Neandertais ao século XX
As escavações arqueológicas realizadas na caverna trouxeram à luz vestígios de ocupação humana que datam do Paleolítico médio, com artefatos atribuíveis a populações pré-Homo sapiens. Nas épocas seguintes, a caverna foi utilizada como refúgio, local de culto e depósito. Na época trácia e depois medieval búlgara, sua posição estratégica perto do rio a tornou um ponto de referência para as populações locais.

No século XX, durante o período comunista, a caverna foi utilizada como depósito militar pelo exército búlgaro: os sinais dessa ocupação — rampas de concreto, estruturas metálicas enferrujadas — ainda são visíveis no interior e conferem ao ambiente uma atmosfera quase pós-apocalíptica, em forte contraste com a beleza natural da abóbada iluminada. A caverna se tornou famosa internacionalmente também graças ao filme de James Bond 007 - Quantum of Solace (2008), cujas algumas cenas foram filmadas aqui.
O que ver e o que esperar durante a visita

Ao entrar na caverna, a primeira coisa que impressiona é a mudança imediata de temperatura: mesmo nos dias mais quentes do verão búlgaro, o interior mantém uma temperatura fresca e constante, em torno de 12-14°C. É aconselhável trazer uma camada adicional de roupa, mesmo em julho e agosto. O percurso principal é parcialmente iluminado e relativamente acessível, mas algumas seções apresentam terreno escorregadio e irregular — sapatos fechados com sola antiderrapante são indispensáveis.
A visita dura em média entre 45 minutos e uma hora, dependendo do ritmo e do interesse pelos detalhes geológicos. Os painéis informativos presentes na entrada fornecem contexto histórico e natural em búlgaro e em inglês. O ingresso é acessível — em torno de 5-8 leva búlgaros para adultos, com reduções para crianças e estudantes — e a caverna está aberta ao público o ano todo, com horários variáveis dependendo da estação.
Como chegar e dicas práticas
A caverna está localizada a cerca de 18 quilômetros ao nordeste de Lovech, uma das principais cidades da Bulgária central, facilmente acessível de carro. A estrada que leva ao local é asfaltada, mas estreita em alguns trechos. Não há uma conexão direta de ônibus da cidade até a caverna, portanto, o transporte privado ou um táxi de Lovech continua sendo a opção mais prática para os turistas independentes.
O melhor momento para visitar é de manhã cedo, quando a luz do sol entra obliquamente pelas aberturas do teto e cria os feixes de luz mais espetaculares. Evite os finais de semana de alta temporada (julho e agosto) se desejar viver a experiência em tranquilidade. De qualquer forma, o respeito pelo ecossistema é fundamental: ruídos altos e flashes fotográficos perturbam os morcegos, e os guias locais lembram isso pontualmente aos visitantes.
