Uma cicadá do Cabo Oriental, plantada há mais de trecentos anos, ainda cresce hoje na estufa principal do Hortus Botanicus de Amsterdã. É um dos seres vivos mais antigos dos Países Baixos, e vê-la de perto — com seu tronco rugoso e as folhas rígidas que se abrem como leques petrificados — já é motivo suficiente para atravessar o portão deste jardim no coração da cidade.
O Hortus Botanicus foi fundado em 1638 como Hortus Medicus, um jardim de plantas medicinais destinado a médicos e farmacêuticos de Amsterdã. Naquela época, a cidade estava no centro das rotas comerciais globais da Companhia das Índias Orientais, e os botânicos podiam contar com um fluxo contínuo de sementes e plantas provenientes da Ásia, África e Américas. Este passado colonial e científico ainda é legível na coleção: mais de 6.000 espécies vegetais convivem em um espaço relativamente compacto no bairro de Plantage, a poucos passos do Rijksmuseum da natureza Artis.
Uma história longa de quase quatro séculos
Fundado inicialmente em uma sede diferente e depois transferido para a posição atual ao longo do século XVII, o Hortus atravessou séculos de transformações políticas e científicas sem perder sua vocação original: estudar as plantas para entender o mundo. No século XVIII, tornou-se um dos jardins botânicos mais influentes da Europa, e a partir daqui foram distribuídas plantas como o café — diz-se que uma planta de café cultivada no Hortus é a origem das plantações caribenhas francesas — embora essa história esteja em parte envolta em lenda.
O que é certo é que o jardim manteve uma continuidade científica rara. Algumas das coleções de palmeiras e samambaias arbóreas remontam a exemplares introduzidos no século XIX, e as estufas históricas — algumas das quais construídas em ferro e vidro segundo o estilo vitoriano — abrigam ambientes tropicais, subtropicais e desérticos que permitem fazer uma volta ao mundo botânico em menos de duas horas.
O que ver: das estufas à cícada lendária
O percurso de visita se desenrola entre jardins ao ar livre e estufas climatizadas. Na estufa dos três climas, um edifício semicircular que abriga três zonas distintas — tropical, subtropical e desértica — passa-se em poucos passos do calor úmido da floresta tropical ao seco abrasador do deserto, com cactos altos como um homem e suculentas de formas improváveis. É um dos pontos mais fotografados de todo o jardim.
A cícada do Cabo Oriental (Encephalartos altensteinii) encontra-se na Palm House, a estufa das palmeiras. Trazida para a Europa no início do século XVIII, é considerada a planta em vaso mais antiga do mundo ainda viva. Observando-a de perto, nota-se como o tronco se inclinou ao longo dos séculos, quase cedendo ao peso de sua própria idade. Ao lado dela crescem palmeiras imponentes que tocam o teto de vidro, criando uma atmosfera quase surreal no meio de uma cidade nordeuropeia.
O jardim ao ar livre e os detalhes escondidos
Fora das estufas, o jardim se abre em canteiros temáticos dedicados a plantas úteis, plantas tóxicas e coleções geográficas. Há uma área dedicada às plantas da farmacopeia tradicional, onde placas explicativas contam como cada espécie era utilizada na medicina nos séculos passados. No verão, os roseirais e as bordaduras floridas tornam o jardim particularmente fotogênico, mas também no outono as cores das folhas e a tranquilidade do lugar têm um charme todo seu.
Um detalhe que muitos visitantes apreciam é a fonte central e os bancos distribuídos entre os canteiros: o Hortus não é apenas um museu ao ar livre, mas um lugar onde os residentes de Amsterdã vêm ler ou simplesmente desacelerar. Essa dimensão cotidiana e humana o distingue dos grandes jardins botânicos pensados apenas para a espetacularidade.
Informações práticas para a visita
O Hortus Botanicus está localizado em Plantage Middenlaan 2a, acessível de bonde a partir da estação central em cerca de quinze minutos. O ingresso custa em média 10-12 euros para adultos, com descontos para crianças e estudantes. A visita leva em média 1,5-2 horas, mas quem quiser parar para ler ou desenhar pode facilmente passar meio dia lá.
O melhor momento para visitar é de manhã cedo, quando as estufas ainda estão frescas e há poucos visitantes. No verão, o jardim está aberto todos os dias, incluindo feriados, enquanto no inverno os horários são reduzidos: é sempre recomendável verificar no site oficial antes de partir. Evitem os finais de semana de julho e agosto se forem sensíveis a multidões — nos dias de semana, a atmosfera é definitivamente mais tranquila e autêntica.