
O ferry de Townsville leva cerca de 25 minutos para cobrir os 8 quilômetros que separam a terra firme da Ilha Magnética, e já durante a travessia percebe-se que este lugar funciona segundo regras próprias. A ilha não é um resort fechado nem um parque temático: é um lugar onde as pessoas realmente vivem, vão ao supermercado, levam os filhos para a escola, e onde os coalas dormem nos eucaliptos à beira da estrada com a mesma indiferença com que um pombo se pousa em um banco em Milão.

A Ilha Magnética está localizada dentro do Great Barrier Reef Marine Park e é classificada como parque nacional em cerca de 70% de sua superfície. Isso significa que a maior parte da ilha é floresta de eucaliptos protegida, atravessada por trilhas para caminhadas, enquanto as áreas habitadas se concentram em pequenos núcleos costeiros como Picnic Bay, Nelly Bay, Arcadia e Horseshoe Bay. A ilha tem cerca de 52 quilômetros quadrados e abriga uma população permanente de algumas milhares de residentes.
Uma ilha onde se dirige de verdade
Uma das particularidades de Magnetic Island em relação a outras ilhas australianas é que é possível levar o carro no ferry para veículos, ou alugar um diretamente na ilha. Existem também os famosos Moke, pequenos veículos abertos semelhantes a carrinhos de golfe reforçados, que são alugados em Nelly Bay e se tornaram um símbolo da ilha. Dirigir ao longo da estrada principal que liga as baías permite parar onde se quiser, alcançar enseadas que seriam difíceis de encontrar a pé, e levar consigo equipamento de snorkeling sem ter que lidar com mochilas pesadas sob o sol de Queensland.
A estrada asfaltada termina em Horseshoe Bay, a baía mais ampla e movimentada da ilha, com um longo trecho de areia dourada, alguns bares e uma feira que acontece nos finais de semana. A partir daí, segue-se apenas a pé, por trilhas que levam a baías ainda mais isoladas como Radical Bay e Balding Bay, onde muitas vezes não se encontra quase ninguém. O contraste entre a simplicidade da infraestrutura e a qualidade da paisagem é um dos aspectos mais surpreendentes da ilha.
Os coalas e a floresta de eucaliptos
A maneira mais simples de avistar os coalas é caminhar ao longo do Forts Walk, uma trilha de cerca de 2,4 quilômetros que sobe em direção aos restos das posições militares construídas durante a Segunda Guerra Mundial, quando Townsville era uma base estratégica para as operações no Pacífico. As estruturas de concreto ainda são visíveis entre a vegetação, e ao longo do caminho os eucaliptos frequentemente abrigam coalas que dormem nas bifurcações dos galhos durante as horas centrais do dia.
A presença dos coalas não é garantida, mas as chances de avistamento são reais e documentadas. A ilha é considerada um dos habitats mais acessíveis para observar esses animais em liberdade em Queensland. É importante não se aproximar demais nem tentar tocá-los: os coalas selvagens podem arranhar e, principalmente, o estresse causado pela interação humana é prejudicial para esses animais já vulneráveis.
Snorkeling e vida subaquática
As baías do lado nordeste da ilha, em particular Geoffrey Bay em Arcadia, são conhecidas pela presença de recifes de corais acessíveis diretamente da costa. Com máscara e nadadeiras, é possível observar peixes coloridos, corais e, com um pouco de sorte, tartarugas marinhas que se alimentam nas águas rasas. A qualidade da água varia de acordo com a estação e as condições climáticas, mas, em geral, a visibilidade é boa durante os meses de inverno australiano, de maio a outubro.
É importante ter em mente que o norte de Queensland tem uma temporada de águas-vivas (em particular as perigosas box jellyfish) que vai aproximadamente de novembro a abril. Durante esses meses, muitas praias possuem redes de proteção, mas é sempre recomendável se informar localmente antes de entrar na água. No inverno, esse problema não ocorre e as condições para snorkeling são geralmente ótimas.
Como chegar e dicas práticas
Os ferries para passageiros partem do terminal de Townsville com frequência regular durante o dia, operados principalmente pela Fantasea Cruising e pela Sealink. O bilhete de ida para passageiros custa aproximadamente entre 15 e 20 dólares australianos, mas os preços mudam com o tempo e é sempre melhor verificar online antes da partida. O ferry para veículos tem tarifas mais altas e requer reserva antecipada.
A melhor época para visitar a Ilha Magnética é entre junho e setembro, quando as temperaturas são agradáveis (em torno de 25 graus), o mar está calmo e não há riscos relacionados às águas-vivas. Mesmo apenas um dia é suficiente para ter uma ideia da ilha, mas quem deseja fazer a Forts Walk, visitar mais baías e fazer snorkeling precisa de pelo menos dois dias. Na ilha existem acomodações de vários tipos, desde campings até apartamentos para alugar, e passar pelo menos uma noite permite viver o ritmo lento da ilha quando os turistas diários já partiram.
