
O cheiro de feijões pretos borbulhando e de carne frita no óleo quente te atinge antes mesmo de atravessar a entrada. O Mercado Central de San José existe desde 1880 e ocupa um quarteirão inteiro no coração da capital costarriquenha, entre as ruas 6 e 8 e as avenidas Central e 1. Suas paredes de cor ocre e os corredores cobertos por telhados metálicos enferrujados não cederam às reformas polidas que transformaram outros mercados latino-americanos em atrações turísticas. Aqui vêm comer os funcionários públicos, os vendedores ambulantes, os motoristas de ônibus: gente com pouco tempo e menos dinheiro, que sabe exatamente o que quer.

O mercado se estende por cerca de 7.000 metros quadrados de área coberta, divididos em uma rede de corredores estreitos e tortuosos que desorientam na primeira entrada. Não existe um mapa oficial distribuído na entrada, e se orientar faz parte da experiência. As barracas vendem de tudo — especiarias, ervas medicinais, carne fresca, flores, sapatos usados — mas é o setor de alimentação, concentrado principalmente na parte central e ao longo do corredor principal, que torna este lugar irrepetível do ponto de vista gastronômico.
O casado: o prato que conta a história da Costa Rica em um prato

O casado é a refeição do meio-dia por excelência na Costa Rica, e no Mercado Central encontra-se na sua versão mais honesta. O nome deriva da ideia tradicional de que era o almoço que as esposas preparavam para os maridos — «casado» significa literalmente «casado» — e a composição reflete essa lógica doméstica: arroz branco, feijão preto ou vermelho cozido separadamente, uma salada de repolho e tomate temperada com limão, um acompanhamento de banana-da-terra madura frita chamada plátano maduro, e uma proteína à escolha entre frango assado, carne de boi cozida, peixe frito ou ovos. Tudo servido junto em uma única bandeja de plástico ou em um prato grande, sem hierarquias entre os elementos.
Nos balcões do mercado, o casado custa entre 2.500 e 4.000 colones costarriquenhos, equivalentes a cerca de 4-7 euros na cotação atual. Não existe menu escrito na maioria dos lugares: a senhora atrás do balcão te diz o que há hoje, e você escolhe. A carne cozida — frequentemente preparada com o corte local chamado lomito ou com pedaços de carne de boi cozidos no molho de tomate e pimentões — tem uma consistência que só se obtém com horas de cozimento lento. Não é uma cozinha elaborada. É uma cozinha precisa.

Água doce e café: as bebidas da manhã
Antes do meio-dia, o mercado se anima com um ritual diferente. A água doce é uma bebida quente obtida dissolvendo na água fervente a tapa de dulce, um bloco de cana-de-açúcar não refinada de cor marrom escuro, com um sabor que lembra a melaço, mas mais delicado e menos enjoativo. É servida em xícaras de cerâmica branca sem alça, e é bebida acompanhada de pão doce ou com bolachas de milho. É o café da manhã dos trabalhadores costarriquenhos há gerações, e no Mercado Central ainda é encontrada preparada de forma tradicional, sem adição de aromas artificiais.

O café, na Costa Rica entre os melhores da região centro-americana, é frequentemente servido já misturado com leite quente — o chamado café com leite — em proporções generosas. Os balcões da manhã abrem por volta das seis e ficam lotados até as nove: homens em macacão de trabalho, mulheres com sacolas de compras, alguns idosos que leem o jornal apoiados no balcão. O ritmo é rápido, mas não frenético. Ninguém te apressa, mas ninguém espera também que você tenha decidido.
Como se mover e quando ir

O melhor momento para visitar o Mercado Central é de manhã cedo, entre 7:00 e 9:00, quando a atividade está no auge e os produtos frescos ainda estão todos disponíveis. Para o almoço, o horário ideal é entre 11:30 e 13:00, antes que as bancadas esgotem as preparações do dia. O mercado está aberto de segunda a sábado; no domingo muitas barracas permanecem fechadas.
Chega-se facilmente a pé do Parque Central de San José, a cerca de cinco minutos de caminhada para o oeste ao longo da Avenida Central. Não é necessário pegar táxis ou transporte público se você estiver hospedado no centro histórico. Uma dica prática: leve dinheiro em colones, pois muitas barracas não aceitam cartões de crédito. Evite levar mochilas grandes ou bolsas abertas — não por perigo particular, mas por comodidade nos corredores estreitos. Calcule pelo menos uma hora e meia para passear com calma, comer e observar. Não é necessário mais, mas menos seria uma pena.
