O mosaico de chão da Catedral é de tamanho considerável, esticando todo o comprimento da nave principal, e consiste em aproximadamente 600.000 tesselas policromadas de composição calcária local. Representa a Árvore da Vida e foi encomendado pelo Bispo Gionata em 1163 e realizado pelo monge Pantaleone da Abadia de S. Nicola di Casale em Otranto, que terminou a obra-prima em 1165.Uma primeira peculiaridade do mosaico é o facto de ter gravado o nome do seu autor, em correspondência com a entrada principal, um facto pelo menos invulgar para a época e provavelmente devido ao privilégio de dar crédito ao artista como agradecimento pelo esplêndido sucesso da obra.Como mencionado, o significado que a maioria dos especialistas dão à representação é o da Árvore da Vida, mas existem teorias controversas e nunca se chegou a nenhuma conclusão que satisfaça todas as escolas de pensamento, deixando um véu de mistério em torno da obra.O que é claro, porém, é que à volta da árvore, que se estende desde a entrada até ao presbitério, desdobra-se uma multidão de cenas do Antigo Testamento, simbolizando o caminho tortuoso percorrido pelo homem para vencer os pecados e alcançar a salvação eterna: os acontecimentos de Adão e Eva, os de Caim, Abel, a concepção do Inferno e do Paraíso. Não faltam referências mitológicas e históricas, como as do rei Artur e Alexandre o Grande. Também muito marcante é a representação dos doze meses do ano aos quais é dedicada uma parte circular, bem como a representação dos trabalhos sazonais relativos.A riqueza e variedade dos elementos e símbolos presentes é mais uma prova de como Otranto sempre representou um ponto de encontro entre culturas, povos e diferentes correntes artísticas e culturais. A posição geográfica da cidade tem facilitado o encontro e o intercâmbio entre Ocidente e Oriente, expondo frequentemente o local a ataques e invasões que mais do que favoreceram, impuseram a sua própria cultura. Após milénios de história, o que resta é uma série de tesouros, impressões, sinais da passagem de diferentes povos, que enriqueceram os tesouros de Otranto também e sobretudo de um ponto de vista artístico.