Um vaso de bronze da Dinastia Shang, decorado com máscaras taotie e datado de mais de três mil anos atrás, é frequentemente a primeira coisa que captura a atenção do visitante assim que ele atravessa as portas do Museu de Xangai. Não se trata de uma reprodução nem de um fragmento: é uma peça original, íntegra, que conta a história da metalurgia e da ritualidade de uma civilização que florescia enquanto a Europa ainda estava na Idade do Bronze. Este é o tom que o museu mantém ao longo de todos os seus andares.
O Museu de Xangai está localizado na Praça do Povo, no centro da cidade, e ocupa um edifício inaugurado em 1996 projetado para evocar a forma de um antigo vaso ding chinês: uma base circular, uma estrutura que se alarga para cima, um perfil reconhecível mesmo de longe. O edifício em si é parte da experiência. Com uma área expositiva de cerca de 38.000 metros quadrados distribuídos em quatro andares, abriga uma das coleções de arte chinesa antiga mais completas disponíveis ao público.
A coleção de bronzes: o coração do museu
O andar dedicado aos bronzes antigos é provavelmente a seção mais estudada e mais densa de todo o museu. As vitrines contêm vasos rituais, sinos, espelhos e armas que cobrem um arco temporal da Dinastia Shang (cerca de 1600-1046 a.C.) até o período dos Estados Combatentes. Cada objeto é acompanhado por painéis explicativos em chinês e em inglês que descrevem a função ritual da peça, a técnica de fundição utilizada e o contexto histórico de origem.
O que impressiona fisicamente, ao estar diante desses objetos, é a qualidade da decoração superficial: motivos geométricos, animais estilizados e inscrições gravadas com uma precisão que ainda hoje surpreende os estudiosos de metalurgia antiga. Alguns vasos ainda mostram vestígios de pátina verde, resultado natural da oxidação do cobre ao longo dos milênios, detalhe que nenhuma fotografia consegue reproduzir plenamente.
Cerâmicas Tang e porcelanas Ming: dois mil anos de evolução
Subindo para os andares superiores, a coleção de cerâmicas oferece uma visão cronológica que atravessa a Dinastia Han, a Tang e chega até a Qing. As famosas figuras sancai da Dinastia Tang (618-907 d.C.), com suas inconfundíveis esmaltações em três cores — amarelo, verde e branco — ocupam uma seção dedicada e estão entre as peças mais fotografadas do museu. Ao lado delas, as porcelanas brancas e azuis da Dinastia Ming mostram como a técnica chinesa já havia alcançado níveis de sofisticação que a Europa levaria séculos para se aproximar.
A coleção conta com mais de 120.000 peças no total, das quais uma seleção rotativa é exposta ao público. Isso significa que visitas repetidas ao longo do tempo podem oferecer experiências diferentes: nem tudo está sempre visível ao mesmo tempo.
Os móveis Ming e as outras galerias temáticas
Uma das seções menos frequentadas pelos turistas de passagem, mas apreciada pelos apaixonados, é aquela dedicada aos móveis da Dinastia Ming (1368-1644). Os peças expostas — mesas, cadeiras, gaveteiros — são feitas predominantemente de madeira de huanghuali, uma madeira rosada e extremamente dura que os marceneiros Ming trabalhavam sem o uso de pregos, confiando exclusivamente em encaixes. Observar de perto os detalhes construtivos desses móveis, com as junções perfeitamente visíveis, é uma experiência que redefine a ideia de artesanato.
O museu também abriga galerias dedicadas à caligrafia, aos selos de pedra, às pinturas tradicionais em rolo e às moedas antigas. Esta última seção, muitas vezes negligenciada, permite acompanhar a evolução do sistema monetário chinês desde as primitivas moedas em forma de espátula até as moedas redondas com furo quadrado que caracterizaram milênios de trocas comerciais.
Informações práticas para a visita
O Museu de Xangai é gratuito, mas requer a reserva online com antecedência, especialmente nos finais de semana e durante os feriados nacionais chineses. A entrada é feita através de reserva no site oficial ou pelo aplicativo WeChat. Para quem visita sem conhecer o chinês, é aconselhável chegar com a reserva já feita, pois os guichês físicos têm disponibilidade limitada. O museu é acessível pelo metrô, descendo na estação Praça do Povo nas linhas 1, 2 ou 8.
O tempo mínimo recomendado para uma visita é de três horas, mas para quem deseja explorar todas as galerias com atenção, são necessárias pelo menos cinco. De manhã cedo, logo na abertura, as salas de bronzes e cerâmicas estão mais tranquilas. O museu fecha às segundas-feiras, detalhe que muitos turistas infelizmente descobrem apenas ao chegar na praça.