No coração de Zagreb, em um palácio neorrenascentista construído no final do século XIX, encontram-se mais de 3.750 obras de arte coletadas por um único homem ao longo de décadas de viagens e compras ao redor do mundo. O Museu Mimara — cujo nome completo é Muzej Mimara — deve sua existência a Ante Topić Mimara, um colecionador croata nascido em 1898 que doou toda a coleção à cidade de Zagreb antes de sua morte, ocorrida em 1987. O museu foi oficialmente aberto ao público em 1987, exatamente no ano de seu falecimento.
O edifício que abriga a coleção está localizado em Rooseveltov trg, a praça Roosevelt, a poucos minutos a pé do centro histórico. A estrutura, originalmente uma escola construída em 1895 sob o projeto dos arquitetos Friedrich Schmidt e Hönigsberg & Deutsch, foi adaptada para acolher as obras doadas. Já do lado de fora, a fachada com seus arcos regulares e os detalhes em pedra antecipam a atmosfera acolhedora e quase doméstica dos interiores.
Uma coleção enciclopédica que atravessa os milênios
O que torna a coleção de Mimara difícil de classificar é sua heterogeneidade deliberada. Não se trata de um museu temático nem de uma pinacoteca no sentido tradicional: as obras variam da antiguidade clássica ao século XX, da pintura europeia a objetos de arte decorativa asiática. Entre as peças mais discutidas figuram pinturas atribuídas a Raphael, Rubens e Velázquez, embora algumas atribuições tenham gerado debates no mundo acadêmico ao longo dos anos.
Ao lado das pinturas europeias, a coleção inclui vidros persas antigos de rara qualidade, artefatos pré-colombianos provenientes das civilizações mesoamericanas, esculturas medievais em marfim e madeira, tapetes orientais e uma seção dedicada à arte da Ásia oriental. Passar de uma sala para outra equivale a saltar de um continente para outro e de uma época para outra, o que pode desorientar, mas também fascinar aqueles que se deixam guiar pela curiosidade.
As salas e as obras-primas que você não pode perder
O museu se desenvolve em vários andares e as salas estão organizadas por áreas geográficas e tipos de materiais. No andar dedicado à pintura europeia, os visitantes encontram telas de grandes dimensões ao lado de obras mais íntimas, sem a pressão das multidões que caracteriza os grandes museus europeus. Aqui é possível ficar em frente a uma pintura por vários minutos sem ser empurrado por outros visitantes — um luxo cada vez mais raro.
Particularmente interessante é a seção dedicada à arte antiga, que inclui artefatos egípcios, gregos e romanos. Algumas das cerâmicas e estatuetas expostas aqui são acompanhadas por fichas descritivas que permitem contextualizar os objetos mesmo sem uma preparação específica. A seção de vidros antigos, com exemplares datados de épocas que vão da antiguidade romana ao período islâmico medieval, é uma das mais incomuns e menos conhecidas do museu.
A experiência de visita: silêncio e espaço
Uma das características mais imediatas do Museu Mimara é a escassez de visitantes. Mesmo nos dias de pico, as salas permanecem tranquilas, o que permite um tipo de visita meditativa difícil de encontrar em outros lugares. Não há filas na entrada, não há grupos escolares que obstruem as perspectivas, não há bastões de selfie na frente das pinturas. Quem busca uma experiência museológica não mediada pela multidão encontrará aqui condições quase ideais.
O silêncio dos interiores é acentuado pela iluminação controlada e pelos espaços generosos entre as obras. Algumas salas têm tetos altos e pisos de parquet que amplificam cada passo, dando à visita um ritmo lento e reflexivo. É o tipo de museu onde se pode sentar em um dos bancos presentes nas salas e observar uma obra pelo tempo necessário para realmente compreendê-la.
Informações práticas para a visita
O museu está localizado em uma posição central e é acessível a pé pela maioria dos hotéis do centro de Zagreb. O bonde é o meio mais confortável: várias linhas param nas proximidades da Rooseveltov trg. O ingresso tem um custo baixo em comparação com os padrões dos grandes museus europeus — é recomendável verificar as tarifas atualizadas diretamente no site oficial do museu antes da visita, pois podem variar.
O tempo de visita recomendado é de pelo menos duas horas para quem deseja ver as seções principais, mas três horas são necessárias para quem pretende explorar também as coleções de arte decorativa e os materiais antigos. O museu geralmente está fechado às segundas-feiras, assim como a maioria das instituições museais croatas. O melhor momento para visitá-lo é pela manhã nos dias de semana, quando as salas estão praticamente desertas e a luz natural que entra pelas janelas é mais favorável.