
O odor chega antes de tudo o resto. A algumas dezenas de metros da entrada principal do Osh Bazaar, uma corrente de ar traz consigo cominho, coentro torrado, feno seco e algo mais animal, difícil de definir. É o perfume de um mercado que funciona todos os dias, que vende coisas das quais as pessoas realmente precisam: selas para cavalos, feltro colorido, sacos de arroz de cinquenta quilos, kumiss em garrafas de plástico recicladas.

O Osh Bazaar está localizado no bairro ocidental de Biškek, a capital do Quirguistão, e recebe o nome da cidade de Osh, no sul do país, de onde historicamente vinham muitos dos comerciantes que o animavam. O mercado existe em sua forma atual há décadas, mas suas raízes estão fincadas na tradição dos bazares da Ásia Central que por séculos serviram as caravana da Rota da Seda. Hoje ocupa uma área de vários hectares e abriga centenas de barracas fixas e ambulantes, com uma divisão interna por setores que quem vai lá pela primeira vez aprende a ler apenas depois de ter se perdido pelo menos uma vez.
As cores das especiarias e do feltro

O setor das especiarias é provavelmente o mais fotografado, e por razões compreensíveis. Os vendedores — muitas vezes mulheres com o tradicional kalpak ou com lenços amarrados apertados ao redor da cabeça — dispõem suas mercadorias em cones e pirâmides perfeitas: páprica vermelha brilhante, cúrcuma amarelo ocre, pimenta preta, misturas de chá verde com pétalas secas. Os sacos estão abertos, e tocar as especiarias com os dedos, cheirá-las, é parte do rito de compra. Ninguém se ofende se provar antes de comprar.
Pouco mais adiante, o setor do artesanato em feltro — o shyrdak — expõe tapetes e almofadas com padrões geométricos que lembram as decorações das iurtas. O feltro quirguiz é produzido à mão com lã de ovelha local, prensada e trabalhada com água quente. As cores dominantes são o vermelho tijolo, o azul cobalto e o branco, frequentemente combinadas em padrões que variam de região para região. Alguns vendedores são artesãos eles mesmos e trabalham no local, o que significa que é possível ver o produto em suas fases de produção.
O kumiss e a comida do mercado
Em uma área semi-coberta perto do centro do bazar, filas de vendedores oferecem produtos lácteos fermentados. O kumiss — leite de égua fermentado, bebida nacional do Quirguistão — é vendido em garrafas e jarras de vários tamanhos. O sabor é ácido, levemente efervescente, com uma graduação alcoólica baixa que varia de acordo com o grau de fermentação. Ao lado do kumiss estão o kymyz feito com leite de ovelha e o kurut, bolinhas de queijo seco salgado que as crianças quirguizes comem como lanche. Comprar uma xícara de kumiss diretamente de uma vendedora e bebê-la no local, em pé, é uma experiência concreta e autêntica.
Para quem está com fome, as barracas de comida cozida oferecem samsa — triângulos de massa recheados com carne e cebola, assados em forno tandoor — e pratos de lagman, uma sopa de macarrão feito à mão com vegetais e carne. Os preços estão em som quirguizes e permanecem muito acessíveis para os padrões europeus: uma samsa custa poucos som, uma porção de lagman não ultrapassa duzentos.
O setor de equipamentos para cavalos
Uma das seções mais incomuns para um visitante ocidental é a dedicada ao equipamento equestre. O Quirguistão é um país onde o cavalo ainda desempenha um papel central na vida rural e na cultura nômade, e o mercado reflete essa realidade. Encontram-se selas de couro trabalhadas à mão, rédeas, estribos de metal forjado, chicotes trançados, coberturas para cavalos com decorações em estilo nômade. Alguns vendedores trazem a mercadoria diretamente das províncias rurais e não falam russo, apenas quirguiz, o que torna a comunicação mais gestual do que verbal.
Esse setor também é um dos poucos em que o preço nunca é fixo e a negociação é esperada, não apenas tolerada. Oferecer metade do preço inicial não é indelicado: é parte da linguagem comercial do local.
Como visitar o Osh Bazaar
O mercado está aberto todos os dias, mas o melhor momento para visitá-lo é de manhã cedo, entre 7:00 e 10:00, quando os vendedores chegam com mercadorias frescas e a multidão ainda não atingiu o pico. No final da tarde, após as 16:00, muitas barracas começam a desmontar. Para chegar lá do centro de Biškek, pode-se pegar um dos numerosos minivans compartilhados — chamados marshrutka — que percorrem a avenida Manas em direção ao oeste, ou pegar um táxi com aplicativos como Yandex Go, disponível na cidade. O tempo mínimo para uma visita satisfatória é de duas horas; três horas permitem explorar também os setores mais periféricos. É aconselhável levar dinheiro em som, pois a maioria dos vendedores não aceita cartões. Uma bolsa de tecido ou uma mochila grande é útil para as compras: os sacos plásticos existem, mas são frágeis e muitas vezes pagos.
