Uma trilha de cerca de dez minutos através da floresta tropical separa o mundo caótico das praias costarriquenhas de Playa Biesanz. Caminha-se entre raízes entrelaçadas e copas densas, com o som surdo dos macacos-prego ressoando entre as árvores antes mesmo de ver o mar. Então, de repente, a vegetação se abre para uma meia-lua de areia escura e compacta, cercada por dois promontórios rochosos que protegem a baía dos ventos e das correntes.
Playa Biesanz está a poucos quilômetros do centro de Quepos, na província de Puntarenas, incrustada ao longo da costa do Pacífico central costarriquenho. Sua posição dentro de uma enseada natural a torna estruturalmente diferente das praias vizinhas: enquanto o Parque Nacional Manuel Antonio atrai todos os anos centenas de milhares de visitantes, Biesanz permanece fora dos circuitos de massa, desprovida de quiosques, espreguiçadeiras para alugar e vendedores ambulantes. Essa ausência total de infraestruturas turísticas é, paradoxalmente, seu traço mais distintivo.
A água e as cores da baía
A água de Playa Biesanz muda de cor dependendo da hora do dia e da luz. De manhã cedo, aparece de um verde esmeralda intenso, quase opaco, refletindo a vegetação que desce até a beira. Ao longo do dia, quando o sol está alto, a superfície muda para um turquesa transparente que permite ver claramente o fundo arenoso e as formações rochosas submersas a poucos metros da costa. Essa transparência, unida à calma quase absoluta das águas graças à conformação de cala fechada, torna Biesanz um dos pontos mais indicados para snorkeling em toda a costa de Quepos.
A areia é de cor escura, tendendo ao cinza-bege, com uma textura fina e compacta que a distingue das praias mais claras do parque nacional. Nas bordas da baía, onde a floresta encontra a costa, afloram rochas vulcânicas cobertas de algas verdes e, nas horas de baixa maré, pequenas piscinas naturais onde é possível observar caranguejos e peixes minúsculos presos nas poças. O perímetro da praia mede poucas dezenas de metros: não é um lugar pensado para longas caminhadas, mas para parar.
A floresta acima da cabeça
Um dos elementos que torna Biesanz visualmente única é o fato de que a vegetação não para na margem. As árvores crescem até a beira da água, e os galhos se estendem em direção ao mar, criando uma espécie de dossel natural nas bordas da praia. Os macacos-aranha (Alouatta palliata), presentes em todo o corredor biológico que conecta Biesanz ao Parque Manuel Antonio, se movem regularmente entre as copas durante as horas da manhã e no final da tarde. Seu grito baixo e gutural, que pode parecer um rugido, é frequentemente audível já ao longo do caminho de acesso.
Além dos macacos, é comum avistar iguanas se aquecendo nas rochas às margens da praia, e várias espécies de aves tropicais, incluindo tucanos e papagaios. A fauna não é domesticada nem habituada à comida humana, como acontece em algumas áreas do parque nacional, o que significa que os animais mantêm distâncias naturais e comportamentos não alterados pelo turismo. Isso torna as observações menos garantidas, mas mais autênticas.
Como chegar à Playa Biesanz
O acesso à praia é feito exclusivamente a pé através de uma trilha não sinalizada que parte da estrada principal perto do Hotel Byblos, um ponto de referência histórico na área de Quepos. O percurso é curto, mas requer sapatos fechados ou sandálias com sola antiderrapante, especialmente na temporada de chuvas — que vai aproximadamente de maio a novembro — quando o terreno se torna lamacento e escorregadio. Não existem placas oficiais, e a trilha é encontrada mais facilmente pedindo informações a quem está hospedado na área ou consultando mapas locais atualizados.
O melhor momento para visitar é de manhã cedo, preferencialmente antes das nove. Nesses horários, a praia está quase sempre deserta, a luz é favorável para fotografia e para snorkeling, e os macacos estão mais ativos. À tarde, especialmente nos finais de semana, podem chegar grupos locais vindos de Quepos. Não é recomendável nadar em condições de mar agitado: a baía é protegida, mas não completamente imune às correntes que se formam durante as marés sazonais. Levar água própria é indispensável, pois não existem nem bares nem fontes nas proximidades.
Por que vale a pena a desvio
A Playa Biesanz não oferece serviços, não tem uma entrada formal e não aparece em muitos guias turísticos impressos. É exatamente por isso que funciona. Em uma área como a de Manuel Antonio, onde o turismo de massa transformou muitas praias em extensões de resorts, encontrar um lugar onde o único som é o das ondas e dos macacos representa algo concreto e mensurável, não apenas uma promessa publicitária.
Quem chega aqui com expectativas de conforto ficará decepcionado. Quem, por outro lado, busca um contato direto com a costa costarriquenha em sua forma menos mediada — água cristalina, areia escura, floresta que chega até a beira — encontrará em Biesanz uma das experiências mais honestas que a região de Quepos pode oferecer.