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Parques e jardins 📍 Provincia di Chubut, Argentina

Punta Tombo: um milhão de pinguins na Patagônia

Caminhar ao longo dos trilhos de Punta Tombo significa prestar atenção aonde se coloca os pés: os pinguins de Magalhães não se movem por ninguém. Eles atravessam o caminho com um passo balançante, ignoram os visitantes com soberana indiferença e ocupam cada fenda disponível entre...

Punta Tombo: um milhão de pinguins na Patagônia — Provincia di Chubut, Argentina.

Local
Provincia di Chubut
Categoria
Parques e jardins
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↗ Como chegar

Descobrir Punta Tombo: um milhão de pinguins na Patagônia

Caminhar ao longo dos trilhos de Punta Tombo significa prestar atenção aonde se coloca os pés: os pinguins de Magalhães não se movem por ninguém. Eles atravessam o caminho com um passo balançante, ignoram os visitantes com soberana indiferença e ocupam cada fenda disponível entre a vegetação baixa da estepe patagônica. Esta península rochosa na costa atlântica argentina, a cerca de 110 quilômetros ao sul de Trelew, abriga de setembro a março a colônia de pinguins de Magalhães mais numerosa do continente sul-americano: mais de um milhão de exemplares que retornam todo ano aos mesmos ninhos escavados na terra vermelha e argilosa das falésias.

A atmosfera é difícil de descrever com precisão. O oceano Atlântico aqui assume cores que variam rapidamente: um verde-acinzentado sombrio em dias ventosos, quase esmeralda nas horas centrais quando o sol está alto, e um azul profundo e metálico no horizonte. As praias de seixos e areia escura que se abrem aos pés das falésias não se assemelham a nenhuma praia tropical — são ásperas, batidas pelo vento, orladas por algas trazidas pela corrente das Malvinas. E ainda assim, é exatamente essa dureza da paisagem que torna a cena ainda mais extraordinária: milhares de pinguins se movendo entre as rochas, entrando e saindo do mar, brigando barulhentamente pelos limites do ninho.

A colônia e seu ciclo sazonal

Os pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus) chegam a Punta Tombo por volta de setembro para se reproduzirem. As fêmeas geralmente põem dois ovos, e os filhotes nascem entre novembro e dezembro. Até março, quando o verão austral chega ao fim, a colônia se dispersa novamente em direção ao mar aberto. Durante o pico sazonal, entre novembro e janeiro, a densidade dos animais é tal que os caminhos delimitados pela reserva permitem observar os ninhos de perto — às vezes a menos de um metro — sem perturbar os animais.

A reserva natural é administrada pela província de Chubut e o acesso é regulamentado: os visitantes devem seguir os caminhos sinalizados e não é permitido tocar nos animais. O ingresso para turistas estrangeiros gira em torno de 2.000-3.000 pesos argentinos, mas o preço varia com a inflação local e é recomendável verificá-lo atualizado antes da visita. Ao longo dos caminhos, há painéis informativos em espanhol e inglês com dados sobre a biologia da espécie e sobre a importância da reserva para a conservação.

Cores da água, areia e paisagem costeira

A costa de Punta Tombo é formada por uma sucessão de pequenas enseadas rochosas e trechos de praia onde os pinguins saem da água após as pescarias. A areia — onde presente — é de cor cinza-bege, misturada a fragmentos de conchas e seixos polidos. A água é fria durante todo o ano, influenciada pela corrente das Falkland que leva águas subantárticas para o norte: mesmo no pleno verão, a temperatura do mar raramente ultrapassa os 12-14 graus Celsius, o que explica por que os pinguins de Magalhães se sentem tão à vontade nesta parte da costa.

Os penhascos que delimitam a península mostram camadas de sedimentos argilosos de cor ocre e vermelho tijolo, erodidos pelo vento e pelas ondas. É nessas camadas macias que os pinguins escavam seus ninhos em túnel, às vezes profundos até meio metro. Olhando de cima para baixo, a península aparece salpicada de milhares de pequenas aberturas circulares — uma paisagem lunar animada por criaturas em smoking.

Como chegar e dicas práticas

O ponto de partida logístico é Trelew, cidade da Patagônia argentina acessível de avião a partir de Buenos Aires com voos diretos de cerca de duas horas e meia. De Trelew, é possível chegar a Punta Tombo de carro alugado, percorrendo cerca de 110 quilômetros por estrada asfaltada e de terra, ou através de passeios organizados que partem diariamente da cidade durante a temporada. Puerto Madryn, ao norte, é outra base conveniente e oferece uma maior variedade de acomodações.

O melhor momento para a visita é entre novembro e janeiro, quando os filhotes já nasceram e a colônia está no auge de sua atividade. As primeiras horas da manhã, logo após a abertura da reserva, são as mais tranquilas: a luz é mais suave para fotografias e há menos visitantes. É indispensável levar um casaco à prova de vento mesmo no verão, pois o vento patagônico pode ser intenso e cortante a qualquer momento do dia. Sapatos fechados são preferíveis a sandálias, considerando que o terreno é irregular e os pinguins nem sempre se afastam do caminho a tempo.

O que esperar da experiência

Punta Tombo não é um destino de praia no sentido convencional: ninguém nada nessas águas geladas, e as praias não convidam ao ócio sob o sol. A experiência é de outro tipo — é a observação de perto de um ecossistema funcionando, com todo o barulho, o cheiro forte de guano e o movimento caótico que isso implica. Os pinguins vocalizam continuamente com um som semelhante a um relincho, e o som coletivo da colônia já pode ser ouvido a centenas de metros da entrada.

Aqueles que dedicam pelo menos três ou quatro horas à visita têm tempo para percorrer todas as trilhas principais, alcançar os mirantes nas falésias e observar os pinguins tanto na praia quanto na água. É uma experiência que fica marcada não tanto pela espetacularidade visual — embora essa não falte — mas pela sensação concreta de ser um hóspede temporário em um território que pertence a outra pessoa.

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