
As colunas de basalto emergem da rocha como canas de um órgão monumental, altas até cinquenta metros, dispostas em fileiras verticais que o rio Azat esculpiu ao longo de milênios. Estamos na garganta que contorna a vila de Garni, na Armênia central, a cerca de trinta quilômetros de Yerevan, e a paisagem que se abre diante dos olhos não se assemelha a nada do que se esperaria de uma caminhada ao longo de um curso d'água caucasiano.

A Sinfonia das Pedras — em armênio Basaltե Սյուներ, ou seja, «colunas de basalto» — é o nome com que os locais indicam esta formação geológica natural que se estende por cerca de um quilômetro ao longo das margens do Azat. Trata-se de um fenômeno vulcânico: o basalto esfriou lentamente após antigas erupções, contraindo-se em colunas hexagonais e pentagonais com uma precisão geométrica que parece quase artificial. A formação é comparável por origem, mas não por fama, às mais célebres colunas da Giant's Causeway na Irlanda do Norte.
O caminho ao longo do Azat

O percurso começa logo além do Templo de Garni, o único edifício da época helenística que sobreviveu na Armênia, construído no século I d.C. e dedicado ao deus do sol Mihr. Da praça do templo, desce-se em direção à borda do desfiladeiro seguindo um caminho de terra que em alguns pontos requer atenção: o fundo é irregular, com pedras escorregadias perto da água, e não existem corrimãos ou sinalização fixa ao longo de todo o trajeto. A descida dura cerca de quinze a vinte minutos e leva diretamente às margens do rio, onde as colunas de basalto se erguem verticalmente em ambos os lados do desfiladeiro.
Caminhando ao longo do leito do rio, percebe-se a mudança de temperatura: o desfiladeiro é estreito e sombreado por boa parte do dia, e o ar perto da água permanece fresco mesmo nos meses de verão. As colunas variam em altura e inclinação — algumas são perfeitamente verticais, outras ligeiramente inclinadas em direção ao rio, outras ainda se quebraram acumulando-se em blocos geométricos no leito do rio. A superfície do basalto é escura, quase negra, com nuances cinza-azuladas onde a umidade do rio a atinge regularmente.

O que se observa de perto
Ao se aproximar das paredes do desfiladeiro, nota-se como cada coluna tem uma seção transversal poligonal bem definida: a maioria é hexagonal, algumas pentagonais. As juntas entre uma coluna e outra são nítidas, quase como se tivessem sido cortadas à mão. Em vários pontos, as colunas formam estruturas em leque, onde a base se alarga e as colunas se afastam para cima com ângulos diferentes — é essa característica, em particular, que inspirou o nome «órgão de tubos» usado por muitos visitantes.

No leito do rio, encontram-se blocos de basalto caídos que mostram em seção a estrutura interna das colunas: vêem-se claramente os anéis de resfriamento e a textura granular da rocha vulcânica. O Azat no verão é relativamente baixo e em alguns trechos é possível atravessá-lo, o que permite aproximar-se da parede oposta do desfiladeiro para observar as formações de uma perspectiva diferente. Na primavera, com o degelo, o rio é muito mais impetuoso e perigoso.
Como chegar ao local e dicas práticas

A maneira mais comum de chegar é partir de Yerevan com um dos minivans compartilhados — os marshrutka — que partem da estação de Kilikia e cobrem a rota até Garni em cerca de quarenta minutos por um custo de algumas centenas de drams armênios. Como alternativa, muitas agências locais oferecem passeios combinados que incluem o templo de Garni e o próximo mosteiro de Geghard, declarado patrimônio da UNESCO em 2000, tornando o dia mais completo sem a necessidade de carro próprio.
A melhor hora para visitar é de manhã cedo, preferencialmente antes das nove: a luz radiante ilumina as colunas de maneira mais dramática, o calor é suportável mesmo em julho e agosto, e os grupos organizados geralmente chegam mais tarde. A entrada na garganta é livre e não requer ingresso, ao contrário do templo de Garni que tem um custo de acesso. É recomendável usar sapatos de trekking com sola antiderrapante, levar água suficiente — não há pontos de venda ao longo da trilha — e não se aventurar no leito do rio durante ou logo após fortes chuvas, quando o nível do rio pode subir rapidamente.
Um lugar ainda autêntico
O que torna a Sinfonia das Rochas diferente de muitas atrações geológicas é a quase total ausência de infraestruturas turísticas ao longo do percurso. Não há painéis explicativos, não há barreiras de proteção, não há vendedores de souvenirs ao longo da trilha. Caminha-se sobre a mesma rocha que os pastores locais caminham há gerações, com o barulho do rio como único fundo sonoro constante.
A garganta permanece pouco conhecida fora das fronteiras armênias, e mesmo entre os visitantes estrangeiros que chegam a Garni para o templo, muitos ignoram a existência do cânion logo abaixo de seus pés. Basta seguir a trilha em descida para se encontrar em um ambiente geológico que, em sua escala e em sua precisão natural, merece atenção tanto quanto qualquer monumento construído pelo homem nas proximidades.
