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Parques e jardins 📍 Track, Papua Nuova Guinea

Trilha Kokoda: 96 km na selva da Papua Nova Guiné

O barro vermelho gruda nas botas já após os primeiros quilômetros. A Trilha Kokoda, o caminho que atravessa a cordilheira Owen Stanley na Papua Nova Guiné, não dá trégua desde o início. Este percurso de 96 quilômetros conecta a vila de Kokoda, no norte, com Owers' Corner, perto d...

Trilha Kokoda: 96 km na selva da Papua Nova Guiné — Track, Papua Nuova Guinea.

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Track
Categoria
Parques e jardins
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Descobrir Trilha Kokoda: 96 km na selva da Papua Nova Guiné

O barro vermelho gruda nas botas já após os primeiros quilômetros. A Trilha Kokoda, o caminho que atravessa a cordilheira Owen Stanley na Papua Nova Guiné, não dá trégua desde o início. Este percurso de 96 quilômetros conecta a vila de Kokoda, no norte, com Owers' Corner, perto de Port Moresby, ao sul, cortando através de uma das selvas mais densas e impenetráveis do Pacífico.

Sua fama não vem apenas da dificuldade física, mas do que aconteceu aqui entre julho e novembro de 1942, quando soldados australianos e papuas do Batalhão de Infantaria da Papua se enfrentaram com as forças japonesas em uma das campanhas militares mais duras da Segunda Guerra Mundial. Caminhar por este caminho significa atravessar lugares onde se lutou casa a casa, árvore a árvore, com a malária e a disenteria como inimigos igualmente letais das balas.

O percurso: subidas, travessias e vilarejos remotos

O trajeto não segue uma lógica linear: sobe e desce continuamente através de cristas que superam os 2.190 metros de altitude no ponto mais alto, nas proximidades do passo de Kokoda. Os trekkers enfrentam subidas íngremes com raízes expostas que funcionam como degraus naturais, atravessamentos de rios em pontes de bambu ou diretamente a pé, e trechos onde a vegetação é tão densa que filtra quase completamente a luz. A chuva é frequente em qualquer estação, e o terreno se torna rapidamente escorregadio e instável.

Ao longo do caminho, atravessam-se uma dezena de vilarejos indígenas, como Isurava, Eora Creek e Templeton's Crossing. Os habitantes, pertencentes principalmente à comunidade Orokaiva, vivem em cabanas sobre palafitas e frequentemente oferecem água de coco e frutas aos transeuntes. Esses vilarejos não são reconstruções turísticas: são comunidades reais, com crianças correndo entre as cabanas e idosos sentados à sombra das árvores.

Os locais históricos ao longo da trilha

O momento mais intenso da caminhada é a parada no Memorial de Isurava, construído em 2002 em ocasião do sexagésimo aniversário da batalha. O monumento é composto por quatro pilares de granito negro, cada um gravado com uma palavra: Coragem, Sacrifício, Fraternidade, Mateship. Esta última palavra, intraduzível em português, representa um conceito central da cultura australiana, o senso de solidariedade entre companheiros. O local está situado no ponto onde, em agosto de 1942, ocorreu uma das batalhas mais sangrentas de toda a campanha.

Mais adiante, em Kokoda, encontra-se um pequeno museu local que conserva capacetes, cantis, munições e fotografias da época recuperados na selva circundante. O Arco de Kokoda, estrutura simbólica na entrada da aldeia, marca convencionalmente o início ou o fim da trilha, dependendo da direção da marcha. Muitos trekkers escolhem partir de Owers' Corner e chegar a Kokoda, percorrendo a trilha de sul a norte em um tempo médio que varia entre 8 e 12 dias.

A fauna e a vegetação da selva

A selva que circunda a trilha é habitada por espécies endêmicas da Papua Nova Guiné. É possível avistar pássaros do paraíso nas horas da manhã, especialmente nas áreas de floresta primária entre Eora Creek e Templeton's Crossing. As borboletas de grandes dimensões, algumas com envergaduras superiores a 20 centímetros, atravessam os caminhos de maneira quase teatral. A vegetação alterna trechos de floresta tropical densa a áreas de pradaria alpina nas altitudes mais elevadas.

Ao longo das bordas da trilha crescem samambaias arbóreas que podem ultrapassar seis metros de altura, e musgos que cobrem cada superfície disponível, conferindo à selva uma luz verde difusa e quase subaquática. Em alguns pontos, os ramos das árvores entrelaçam-se acima da trilha formando túneis naturais que aumentam o isolamento sensorial do mundo exterior.

Dicas práticas para quem quer enfrentar a Trilha Kokoda

O melhor período para percorrer a Trilha Kokoda vai de maio a outubro, durante a estação seca, quando os rios estão mais baixos e a lama é menos abundante. A estação das chuvas, entre novembro e abril, torna alguns trechos perigosos e pode causar o fechamento temporário da trilha. É obrigatório registrar-se na Kokoda Track Authority antes da partida e obter a permissão oficial, cujo custo gira em torno de 250 dólares australianos para trekkers estrangeiros.

A guia local é obrigatória por lei e não é negociável: além de ser um requisito formal, representa uma vantagem real em um ambiente onde se perder pode ter consequências sérias. Os carregadores locais, chamados carriers, podem transportar parte da bagagem e conhecem cada variação da trilha. É aconselhável chegar a Port Moresby pelo menos um dia antes da partida para se aclimatar e completar as últimas verificações do equipamento, que deve incluir botas de trekking impermeáveis com sola agressiva, tratamento antimalárico prescrito por um médico e um kit de primeiros socorros completo.

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