Quando o sol se põe no horizonte no deserto de Wadi Rum, as montanhas de arenito vermelho parecem pegar fogo. Os tons passam do laranja queimado para o roxo intenso em questão de minutos, tingindo as paredes rochosas que chegam a 1.754 metros acima do nível do mar — a altitude do Jebel Um Adaami, o pico mais alto da Jordânia, que se ergue exatamente nesta região. Não há filtro fotográfico que possa capturar aquela luz, e nenhuma descrição faz justiça ao silêncio que acompanha o espetáculo.
Wadi Rum se estende por cerca de 720 quilômetros quadrados no sul da Jordânia, não muito longe da cidade de Aqaba. A paisagem é dominada por enormes blocos monolíticos de granito e arenito moldados pela erosão ao longo de milhões de anos. Não é um deserto de dunas — ou pelo menos, não apenas — mas um labirinto de cânions, arcos naturais e planaltos que parece ter saído de outro planeta. Não por acaso, este território serviu de cenário para filmes como Lawrence da Arábia (1962) e, mais recentemente, para produções de ficção científica que buscavam paisagens marcianas credíveis.
Uma paisagem escrita na rocha
Antes mesmo da chegada dos turistas e das câmeras, Wadi Rum já era habitada. As paredes rochosas conservam petroglyphs e inscrições nabateias datando de mais de dois mil anos atrás, testemunho das populações que atravessavam estas terras ao longo das antigas rotas de caravanas. Os Nabateus, o mesmo povo que construiu Petra, deixaram aqui vestígios de sua presença na forma de gravuras rupestres que retratam camelos, caçadores e símbolos geométricos. Algumas dessas inscrições são visíveis mesmo sem guia, nas paredes do canyon principal perto da Vila Wadi Rum.
O site é protegido como patrimônio da UNESCO desde 2011, reconhecido por seus valores naturais e culturais. Essa proteção ajudou a regular o fluxo turístico e a preservar as formações geológicas, impedindo — pelo menos em parte — os danos que uma frequência descontrolada poderia ter causado.
O pôr do sol visto de um acampamento beduíno
A experiência do pôr do sol em Wadi Rum muda radicalmente dependendo de onde você está. Vê-lo de um acampamento beduíno, sentado em um tapete com uma xícara de chá de hortelã na mão, é algo que dificilmente pode ser replicado em outro lugar. Os campos de tendas estão espalhados pelo deserto, alguns mais rústicos, outros com estruturas de cúpula transparente que permitem dormir olhando as estrelas. Os preços para uma noite variam geralmente entre 50 e 150 euros por pessoa, dependendo do nível de conforto e dos serviços incluídos, muitas vezes com jantar e café da manhã tradicional beduíno.
Os guias beduínos levam os visitantes ao topo de dunas ou em planaltos rochosos pouco antes do pôr do sol, para ter uma visão livre do horizonte. A luz muda tão rapidamente que é aconselhável chegar pelo menos uma hora antes do pôr do sol para aproveitar a transformação gradual da paisagem. As cores mais intensas muitas vezes duram apenas dez ou quinze minutos, mas a atmosfera permanece extraordinária mesmo depois, quando o céu se tinge de azul escuro e as primeiras estrelas começam a aparecer.
Como organizar a visita
O ponto de acesso principal é a Vila Wadi Rum, acessível em cerca de duas horas de carro a partir de Aqaba ou três horas a partir de Petra. De Amã, a distância é maior, cerca de quatro horas de condução para o sul. Não há uma ligação ferroviária direta, mas vários operadores oferecem transferências organizadas. Na entrada do site protegido, paga-se um bilhete de entrada de 5 dinares jordanos (cerca de 7 euros), que inclui o acesso à área, mas não as excursões internas.
Para se locomover no deserto, é necessário confiar em jeeps locais ou, para quem prefere um ritmo mais lento, em camelos. As excursões de jeep duram geralmente entre três e seis horas e cobrem os principais pontos de interesse: o arco de Um Fruth, o cânion de Khazali com suas inscrições e as dunas de areia vermelha. Quem tem menos tempo pode optar por um passeio de meio dia, mas para vivenciar o pôr do sol, é indispensável parar pelo menos uma noite.
Quando ir e o que levar
Os melhores meses para visitar Wadi Rum são março, abril, outubro e novembro, quando as temperaturas diurnas ficam entre 20 e 28 graus. No verão, o calor pode se tornar opressivo, com picos que superam os 40 graus nas horas centrais. No inverno, por outro lado, as noites no deserto podem ser surpreendentemente frias, com temperaturas que caem abaixo de zero. Mesmo no verão, após o pôr do sol, a temperatura cai significativamente: levar uma camada quente é sempre uma boa ideia.
Um detalhe que muitos subestimam: a areia vermelha de Wadi Rum gruda em tudo. Sapatos fechados, óculos de sol e um lenço leve para usar como proteção para o rosto durante as rajadas de vento são acessórios práticos que fazem a diferença. E para o pôr do sol, é melhor deixar o telefone no bolso pelo menos por alguns minutos — certas cores merecem ser vistas, não fotografadas.