As pirâmides são brancas. Não o branco antigo e rachado que se esperaria de uma cidade maia abandonada há séculos, mas um branco quase ofuscante, geométrico, limpo como cimento fresco. Este é o primeiro impacto com Zaculeu, a antiga capital do povo Mam, escondida no altiplano guatemalteco a poucos quilômetros do centro de Huehuetenango. Uma sensação estranha, quase desconfortável, que porém dá espaço a algo mais profundo à medida que se aproxima das estruturas.
Zaculeu foi habitada e desenvolvida como centro cerimonial e político entre o período Clássico e o Pós-Clássico Maia, com sua fase mais intensa entre 600 e 1525 d.C. aproximadamente. Foi exatamente em 1525 que o conquistador espanhol Gonzalo de Alvarado, irmão do mais célebre Pedro, pôs fim à independência Mam após um longo cerco que durou meses, forçando à rendição o rei Mam Kaibil Balam. Esse momento marcou o fim de uma era, mas não o fim de um povo: os Mam existem ainda hoje, e algumas de suas comunidades retornam a Zaculeu para cerimônias ligadas ao calendário maia tradicional.
O restauro controverso que define o site
O que torna Zaculeu visualmente único — e historicamente controverso — é o restauro realizado nos anos 1946-1947 pela United Fruit Company, a poderosa companhia americana que na época controlava grande parte da economia guatemalteca. A intervenção, financiada e supervisionada pela empresa, cobriu as estruturas com uma espessa camada de reboco branco que, por um lado, as preservou da erosão, mas, por outro, apagou boa parte da superfície original e dos detalhes decorativos. Os arqueólogos ainda discutem se foi uma questão de conservação ou de alteração irreversível.
O resultado é um complexo que parece quase um modelo em escala real: as pirâmides têm linhas nítidas, escadarias perfeitamente legíveis, superfícies desprovidas de vegetação. A estrutura principal, com cerca de 15 metros de altura, domina a praça central com uma presença silenciosa. Ao lado dela, encontra-se um campo de jogo da bola bem conservado — com os característicos anéis laterais de pedra — e uma série de plataformas cerimoniais dispostas em torno de espaços abertos que outrora abrigavam assembleias e rituais.
Caminhar entre as praças quase em solidão
Um dos aspectos mais raros de Zaculeu é o silêncio. O site recebe uma fração mínima dos visitantes que lotam Tikal ou Chichén Itzá: nas manhãs de dias úteis, é possível se encontrar praticamente sozinho entre as estruturas, com apenas o vento do altiplano e o canto dos pássaros como companhia. Esse isolamento não se deve à falta de valor histórico, mas simplesmente à posição geográfica de Huehuetenango, cidade de fronteira pouco frequentada pelos circuitos turísticos internacionais.
Passeando entre as praças, notam-se detalhes que a restauração não apagou completamente: inscrições nas pedras das escadarias, variações na textura do material que denunciam intervenções de épocas diferentes, e em alguns cantos do site pequenos altares com velas e restos de flores, sinais tangíveis das cerimônias recentes. Em certos dias do calendário maia Cholq'ij, grupos de xamãs Mam — chamados ajq'ijab' — acendem fogueiras rituais aos pés das pirâmides. Assistir a um desses momentos, se tiver sorte, é uma experiência que nenhuma guia turística pode garantir, mas que vale a viagem por si só.
O pequeno museu e o contexto histórico
Na entrada do site encontra-se um pequeno museu que reúne artefatos cerâmicos, ferramentas de obsidiana e objetos funerários encontrados durante as escavações. As legendas estão em espanhol, o que requer um conhecimento básico da língua para se orientar, mas as coleções são genuínas e oferecem um contexto essencial para entender quem foram os Mam antes da chegada dos espanhóis. Particularmente interessantes são os fragmentos de cerâmica com decorações policromáticas e algumas figuras em terracota que mostram figuras humanas em trajes cerimoniais.
O ingresso atualmente custa poucos quetzales — aproximadamente em torno de 50-80 GTQ, equivalentes a menos de dez euros — e inclui o acesso tanto ao site quanto ao museu. O site está aberto todos os dias, geralmente das 8:00 às 17:00.
Como chegar e quando ir
Huehuetenango é acessível de ônibus a partir da Cidade da Guatemala em cerca de cinco horas, ou a partir de Quetzaltenango em duas horas e meia. De Huehuetenango, o site de Zaculeu está a cerca de três quilômetros do centro da cidade: pode-se pegar um tuk-tuk ou um táxi local por um valor modesto. O melhor momento para visitar é de manhã cedo, antes que o calor do meio-dia chegue e os poucos grupos escolares locais que animam o site à tarde.
Levar água é fundamental: não há bares ou pontos de alimentação dentro do site. Também é recomendado um chapéu, pois as praças abertas oferecem pouca sombra. Quem tem tempo pode combinar a visita com um passeio pelo mercado de Huehuetenango, um dos mais autênticos do altiplano guatemalteco, onde os vendedores Mam ainda chegam hoje com os mesmos produtos — tecidos, especiarias, verduras — que provavelmente eram trocados quando Zaculeu ainda era habitada.