O Convento de San Zaccaria era o mais importante instituto religioso feminino de Veneza e estava intimamente ligado ao Doge e à nobreza da cidade. A Igreja existiu desde o século IX, mas em 1458 foi decidido construir uma nova ao lado da anterior. As obras foram iniciadas por Antonio Gambello, que construiu a abside poligonal com capelas radiais que constituem um unicum em Veneza.De acordo com uma tradição antiga, o primeiro chifre Ducal, o toucado do doge, foi doado em 864 pela abadessa do Convento. Por esta razão, todos os anos o doge ia em procissão para a Igreja carregando o chifre. San Zaccaria é uma mistura de estilos gótico e renascentista, uma das 10 igrejas mais bonitas de Veneza, com uma história rica e interessante por trás dela. A Igreja de San Zaccaria é uma espécie de Panteão Veneziano, porque havia 8 Doges da Sereníssima enterrados aqui. Alguns também citam como a Igreja dos assassinatos, porque pelo menos dois doges foram assassinados dentro dela. A igreja está onde havia um mosteiro de freiras claustrais, com reputação não exatamente impecável; de fato. Segundo as fofocas da época, estas jovens, destinadas ao Convento pela família nobre para não dispersar o patrimônio com os dons matrimoniais, parecem ter transformado seu salão em um elegante destino de sala de estar de concertos e vários shows. Escusado será dizer que a sala era um destino para todos os jovens venezianos. Mas a história mais curiosa é a da doação feita pelas freiras à cidade de Veneza, à qual cederam parte de seu jardim, o Brolo em Veneza (mais tarde Broglio), para ampliar a praça em frente à Igreja. Mais tarde, a piazzetta, que se tornou del Broglio, tornou-se um destino para nobres assolados que vieram aqui para vender os seus votos para a eleição do Grande Conselho. Em suma, foi uma verdadeira fraude eleitoral. No ano de 1105 um terrível incêndio destruiu-o, juntamente com a igreja, e diz-se que mais de cem freiras morreu asfixiado, que se refugiaram no underground ainda existente sob o Altar-mor. Ele encontrou hospitalidade neste mosteiro, o Papa Bento III, no ano de 855, enquanto fugia da violência desencadeada pelo antipapa Anastácio. Em gratidão aos beneditinos de São Zacarias, o pontífice doou muitas relíquias, que se tornaram o orgulho do Mosteiro.